Quando li o livro “How I Learned Eight Languages” (ainda sem tradução para o português), do jornalista polonês Zygmunt Broniarek, pela primeira vez, aos dezessete anos, desejei de todo o coração me tornar um poliglota como ele. Criei minha primeira lista de idiomas que queria aprender em uma página do meu caderno. No entanto, eu ainda não entendia completamente o que estava por vir. Para mim, parecia que ser poliglota significava simplesmente aprender novas línguas. Naquela época, eu não tinha consciência dos sacrifícios e das mudanças que isso acarretaria.
Um dia, eu estava conversando com Luca Lampariello, um italiano sempre sorridente, proficiente em doze idiomas e com a cooperação dele surgiu nosso livro “Jak uczyć się języków” (“Como Aprender Línguas” disponível apenas em inglês e polonês). Fiz-lhe uma daquelas perguntas que ouço frequentemente de pessoas que se encontram exactamente na mesma situação que eu, há cerca de vinte anos: “Luca, como é que alguém pode se tornar poliglota?”
Luca respondeu de uma forma que me intrigou muito:
“A dificuldade não está em como se tornar um poliglota, mas em como permanecer poliglota”.
Qualquer um pode aprender alguns idiomas. No entanto, manter a capacidade de falar dez ou vinte línguas pode ser um grande desafio. Para fazer isso, você precisa reorganizar completamente sua vida.
Ser poliglota é, em certo sentido, um modo de vida, criando as circunstâncias e o ambiente que não só nos ajudarão a estudar novas línguas, mas também a usar as que aprendemos antes. Também envolve mudar nossos hábitos e superar barreiras que antes não conseguíamos superar.
Tony Robbins disse certa vez com muita propriedade: – Se você deseja alcançar o sucesso, encontre alguém que tenha alcançado o que você deseja e comece a copiar suas ações para obter os mesmos resultados. Se você quer se tornar um poliglota, dê uma olhada no que outros poliglotas estão fazendo e tente fazer o mesmo.
Então, como são os poliglotas?
Há duas semanas, enquanto voava para o Rio de Janeiro, mergulhei na leitura do livro “Cómo aprender cualquier idioma (sin morir en el intento, ainda sem tradução para o português)” [How to Learn Any Language (Without Dying in the Attempt)], escrito pela poliglota Siskia Lagomarsino, que mora no México.
Em um dos capítulos encontrei um resumo muito interessante que pode ser um excelente ponto de partida para você no caminho para se tornar um poliglota. Siskia Lagomarsino reuniu cinco características essenciais que praticamente encontrou em todos os poliglotas que conheceu pessoalmente. Para se tornar um poliglota, você deve fazer exatamente o que eles fazem.
Então, o que nos espera?
5 características que todo poliglota possui:
1. Eles conseguem organizar o tempo.
Aprender línguas quase exige abrir mão de quase todo o seu tempo livre. Se alguém pensa que passar duas ou três horas por semana em uma sala de aula vai levar a algum lugar, seria melhor que se dedicasse a outro hobby que dê resultados com menos esforço e em menos tempo.
2. Eles desenvolveram seus próprios hábitos autodidatas.
Bem, eles administram seu calendário para encontrar tempo para estudar um idioma, mas também escolheram os métodos de estudo que se mostraram mais eficazes para eles. Além disso, eles tentam adaptar esses métodos aos seus novos objetivos linguísticos.
3. Eles são autocríticos.
O poliglota analisa a língua como se fosse um mapa de algum terreno, permitindo saber onde estão localizadas as armadilhas, areias movediças e outros perigos da comunicação. Como resultado, eles tentam evitá-los tanto quanto possível dentro de suas habilidades. No entanto, eles estão cientes de que não podem evitá-los completamente. O poliglota tem autocrítica suficiente para poder “preencher as lacunas” onde as suas capacidades de comunicação sejam insuficientes. Utilizam diversas estratégias e estão cientes de seus erros para corrigi-los posteriormente.
4. Eles têm apenas um pouco de medo de serem ridicularizados.
É preciso dizer em voz alta: no caminho traiçoeiro da comunicação em outro idioma, é impossível evitar cometer erros. E, como resultado, certamente nos exporemos ao ridículo. No entanto, o poliglota não só aprendeu a se livrar desse medo, mas também a usar os erros a seu favor.
5. Eles amam ler.
Você não pode aprender um idioma se não ler nada nele. Ponto.
Não posso falar por todos, mas o que muitas vezes caracteriza um poliglota é quantas horas ele dedica ao estudo, algo que qualquer pessoa que não esteja familiarizada com esse “hobby” pode considerar excessiva. (Os mais intolerantes podem até dizer que é uma completa perda de tempo).
Em alguns casos, essas horas são gastas lendo e escrevendo no idioma alvo, enquanto em outros, são dedicadas à repetição de padrões gramaticais, à revisão de cartões e ao uso de outros materiais de estudo.
É claro que o tipo de atividade varia dependendo de cada aluno, mas o ponto comum é a dedicação com que realizam cada tarefa. Você também poderia chamar essa dedicação de “loucura”.
No final, descobriremos que é necessário um toque de loucura para aprender outro idioma, e nem sempre é preciso talento. Nunca aprenderemos uma língua da mesma forma que adquirimos a nossa língua materna. Garanto a você, caro leitor, que o trem já saiu da estação e a única certeza é que não voltará. Podemos sair da plataforma e seguir lentamente os caminhos que nos levam em direção à nossa língua-alvo, ou podemos sentar e esperar, esperando que outro trem passe.
Fonte: “Cómo aprender cualquier idioma (sin morir en el intento)” de Siskia Lagomarsino.
Artigo originalmente publicado em sekretypoliglotow.pl em polonês. Você pode encontrá-lo aqui.





