➡  Como estudar 📆 17 fevereiro 2022 ✍️  Marlon Couto Ribeiro

Já passou pela sua cabeça como você poderia viajar para um país e conhecer a real cultura através de pessoas reais que moram na região e gastando pouco dinheiro? E me deixe fazer outra pergunta: já quis viajar para o exterior para praticar de verdade com falantes nativos locais em uma língua estrangeira que você possa estar aprendendo?

Bem, acho que posso passar uma solução incrível para ambas as questões que envolvem fazer amigos no exterior com quem você pode conversar no idioma nativo (ou um idioma que você aprendeu e quer praticar) sobre países, culturas e vocês mesmos. Se chama Couchsurfing.

O Polyglot Club

Há muitos anos, quando estava no Brasil, conheci um site chamado “The Polyglot club”. Pude compartilhar minha experiência com idiomas no fórum e aprender com a experiência de todos os outros. Além das discussões online, também organizaram encontros semanais, em todo o mundo, inclusive no Brasil!

Porém a sede deles ficava muito longe de onde eu morava. E, para minha decepção, nunca tive a chance de participar dos eventos. Consequentemente, quando me mudei para a Polônia, tudo mudou! Não apenas pude finalmente participar dos encontros deles, como também pude organizar meus próprios encontros. Bem, foi exatamente isso que fiz, organizei meu primeiro encontro do “The Polyglot Club”.

Finalmente, o meu primeiro encontro!

couchsurfing

Estava super empolgado, porque esperei por esse momento há tanto tempo! Estava animado para conhecer todos os poliglotas locais e praticar idiomas! E eis que, naquele dia, só UMA pessoa veio para o encontro. Ele se chamava Bartek. Falamos sobre nossas viagens e fiquei sabendo que ele já tinha viajado por muitos países. Na verdade, ele preferia visitar lugares pequenos e remotos, onde não havia outros turistas. Ele fazia isso, porque queria ter certeza de que não acabaria usando o inglês durante sua estada no exterior. Em vez disso, ele poderia praticar uma das outras línguas que conhecia, entre elas: italiano, português, espanhol e alemão. Ele era um verdadeiro poliglota!

Bartek estava bem animado para o próximo destino dele: a Suécia. Por isso mesmo que não só conversamos em português naquele dia, como também em sueco que é uma das minhas línguas favoritas. Ele me impressionou bastante. O nível dele era bem incrível e as técnicas para estudar idiomas eram parecidas com as minhas. Além disso, nós tínhamos o mesmo elemento de estilo de aprendizagem: “Fogo”. Isso explicava por que ele viajava muito em busca de experiências interculturais e para praticar idiomas. Fiquei bastante curioso em como ele fazia para ganhar tanto dinheiro para financiar as aventuras dele no exterior. Eu também me perguntei como ele acabava parando em aldeias e cidades completamente desconhecidas.

Foi quando eu conheci o “CouchSurfing”.

Couchsurfing? Surfar no sofá? Quê??? Do que isso se trata? Bem, Bartek me explicou que é um site, ou melhor, uma comunidade online de viajantes, geeks de idiomas e loucos por cultura. Você pode procurar um “sofá” (“couch” em inglês) para dormir de graça onde planeja visitar, mas o mais importante é encontrar um anfitrião local muito legal para conhecer mais sobre cultura, história e pessoas da região.

Se estiver aprendendo uma nova língua, é uma oportunidade fantástica para praticar esse idioma indo para um país onde ele é falado. Você também pode encontrar um anfitrião que conheça esse idioma, pois essa informação é sempre indicada em seu perfil. Você pode falar sobre assuntos diferentes em outra língua, por exemplo: cozinhar, viajar, histórias de vida e por aí vai. Por outro lado você também pode se oferecer para hospedar pessoas interessadas em visitar a sua cidade/região. No entanto, se você não puder recebê-los como convidados em casa, pode pelo menos guiá-los na sua cidade ou se oferecer ajuda de alguma forma.

Esse conceito do “Couchsurfing” soava perfeito para mim!

Era tudo o que eu queria em um só lugar! E eles também organizavam encontros semanais! Na verdade, esses encontros eram mais populares do que os do Polyglot Club, já que o CouchSurfing era um serviço online muito mais conhecido.

Nesse mesmo dia, criei meu perfil e dois dias depois recebi uma mensagem provavelmente de um lituano que queria vir para a Polônia e passar umas três semanas aqui. Infelizmente, no final das contas, ele decidiu ficar em Katowice – a capital da Silésia, que fica a cerca de 24 km de Gliwice, cidade onde moro. Senti uma grande decepção, pois estava realmente ansioso para ter minha primeira experiência no Couchsurfing.

De qualquer forma, vou contar sobre a primeira viagem que usei realmente o Couchsurfing. Eu estava planejando uma viagem para Kiev, na Ucrânia, e pensei em experimentar o Couchsurfing exatamente lá. Depois de pesquisar vários perfis e enviar algumas mensagens, consegui encontrar meu primeiro anfitrião e ele se chamava Vanya! Fiquei na casa dele, localizada não muito longe do centro de Kiev.

Três pássaros, duas línguas, um homem.

Não queria me gabar, mas com o anfitrião, eu consegui “matar três coelhos com uma cajadada só”, não dois! O que quero dizer com isso? Bem, primeiramente, pude aprender um pouco de russo com Vanya, porque ele nasceu em Moscou. Em segundo lugar, não precisei pagar nada para me hospedar lá. A cidade era bastante cara do meu ponto de vista, então fiquei particularmente feliz com isso. Além de tudo isso, Vanya era um esperantista bem apaixonado pela língua e bem doidinho! Como eu também sabia esperanto, conversávamos nessa língua quando eu tinha dificuldade em transmitir alguma ideia devido ao meu conhecimento limitado e pobre da língua russa.

Para aqueles que não sabem do que estou falando, o esperanto é uma língua construída, auxiliar e internacional que é uma das mais faladas no mundo. Criado pelo oftalmologista Ludwik L. Zamenhof in 1887, o Esperanto foi criado para ser a segunda língua universal para comunicação internacional.

A minha estada com Vanya

Durante a minha estada, quando ele tinha um pouco de tempo livre, passávamos algumas horas caminhando juntos pela cidade, enquanto ele contava fatos históricos interessantes sobre prédios e pessoas da cidade. Tive a sorte de aprender sobre a história e cultura da região, enquanto praticava outro idioma, achei isso incrível e me senti muito sortudo por ter tido essa oportunidade.

Durante alguns momentos da minha viagem, Vanya ficou bastante ocupado com seu trabalho, então quando ele não podia passar um tempo comigo, pediu para seu companheiro esperantista, Andrij, para ajudar a me hospedar também, o que foi ótimo porque eu pude praticar conversações com outra pessoa em esperanto durante minha viagem. Nossas conversas foram sobre muitos assuntos diferentes, especialmente sobre o famoso Taras Shevchenko – maior poeta ucraniano, cuja herança literária é considerada como o ponto de partida das bases para a literatura moderna da Ucrânia. Nossas conversas duraram algumas horas, mas eram tão interessantes que parecia que o tempo tinha parado.

Quando em Kiev…

Couchsurfing

Durante essa viagem, aconteceu outra coisa engraçada usando o Couchsurfing. Um dia, em uma tarde chuvosa de quarta-feira, avistei uma jovem loira ucraniana que parecia muito atraente. Ela se chamava Irina. Tomei coragem e comecei a conversar com ela em russo. Para a minha surpresa, ela respondeu em ucraniano e não em russo.

“Ukrayinska mova prekrasna, i neyu treba gavariti!” o que quer dizer “ucraniano é uma língua linda e deve ser falada!”

Aconteceu que ela preferia falar ucraniano. Não é uma surpresa! Porque estamos na Ucrânia! Devido ao meu baixo nível de ucraniano, tive que usar o polonês, porque é mais parecido com o ucraniano do que com o russo.

E eis que a Irina propôs um experimento: ir sentar em uma lanchonete próxima para tomar algo para beber e comer lá. No entanto, com a condição de que durante esse tempo eu conversasse com ela apenas em polonês, enquanto ela só respondesse em ucraniano. Nosso encontro de línguas do tipo tandem durou mais de 5 horas nesse esquema “híbrido”!

Reflexões após minha primeira viagem à Ucrânia usando o Couchsurfing.

No geral, gostei muito do tempo que passei lá. A primeira experiência com o CouchSurfing foi incrível. Eu conversei, anotei muitas coisas e aprendi muito ao mesmo tempo. Vanya até me deu uma Bíblia em russo, que guardei e leio de vez em quando ainda hoje.

Quando se decide ficar na casa de um CouchSurfer, você deve estar aberto e disposto a criar situações para conversar e aprender com seu anfitrião. Comentei sobre a casa, a cidade, as pessoas – tentando compará-las com o meu próprio “mundo”. Eu compartilhei meus hobbies e interesses com meu anfitrião em busca de descobrir os deles.

Na verdade, eu poderia continuar contando sobre outras viagens e outros anfitriões interessantes que tive. Mas eu acho que por hoje basta. Resumindo tudo: eu recomendo que você experimente o CouchSurfing. Você pode se sentir como um “embaixador” do seu país, porque está representando a nação no exterior. Os anfitriões estão sempre dispostos a descobrir algo sobre sua cultura e vida cotidiana. É uma oportunidade fantástica para conhecer pessoas que falam muitas línguas e praticar um idioma com elas. Além disso, você sempre pode aprender algo novo que não aprenderia se tivesse viajado pelo “caminho normal”.

Assim que a sua viagem terminar, não se esqueça de escrever a sua opinião e avaliação da experiência que você teve no perfil do anfitrião no site CouchSurfing.com. Dessa forma, mais pessoas se sentirão mais confiantes para viajar e se hospedar na casa desse anfitrião.

Marlon Couto Ribeiro

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